“O
carisma de um Instituto enriquece um patrimônio de vida, de história
e de espiritualidade, que caracteriza cada família em comunhão
com o espírito do Fundador, que se torna vivo pela presença
dos seus filhos e discípulos. Não se deve mudar nem desnaturar
nenhum carisma; deve se , isto sim, conservá-lo e renová-lo,
em perfeita docilidade à legítima autoridade da Igreja,
que vela pela sua autenticidade e sanciona ‘a intenção,
os projetos dos Fundadores’”.
“A sua vitalidade e o seu serviço
eclesial dependem da fidelidade ao dom de graça que o Espírito
Santo derramou no carisma de origem”. “É ele a razão,
o móvel, a força originária, a paixão, a causa;
enfim, o amor do ser e do viver de todo o Instituto”.
“Cada forma de vida consagrada procura
viver uma palavra, um exemplo, um mistério da vida encarnada ou
gloriosa, como todo no fragmento. E cada carisma está radicado
no seguimento e na doação a Cristo, como cada aspecto da
sua vida é inseparável da sua pessoa. Os carismas da vida
consagrada não se podem separar do empenho do seguimento e do dom
da consagração”.
O nosso Carisma nasce do mais profundo do coração
de Madre Maria Bernadete, onde, inspirada pelo Espírito Santo,
deseja imolar a sua vida pela Santificação dos Sacerdotes,
sendo que esse ideal de vida hoje se torna uma realidade com o nascimento
de um novo Instituto, que tem a sua finalidade primordial de “Imolar-se
pela Santificação dos Sacerdotes”.
A fonte de inspiração bíblica, nós a encontramos
no evangelho de São João no capítulo dezessete, a
Oração Sacerdotal de Jesus, pois essa oração,
é para nós, a Carta magna que deve reger a nossa vida, pois
é nela que Jesus pede ao Pai pelos seus apóstolos, os primeiros
sacerdotes instituídos por ele na Quinta-feira Santa.
Ao pensarmos nesta Oração Sacerdotal, podemos sentir o Coração
de Jesus, dirigindo-se ao Pai e pedindo pelos seus apóstolos e
na pessoa dos apóstolos cada sacerdote que continuaria a sua missão.
Pede ao Pai que eles permaneçam firmes nos ensinamentos recebidos
e que os guarde de todos os perigos. E, assim, como Jesus foi enviado
pelo Pai para cumprir a sua missão, ele agora também os
envia para cumprir a sua missão. Jesus pede para que eles se mantenham
fiéis e que não desanimem diante dos obstáculos e
ciladas do tentador.
No v.19: “E, por eles, a mim mesmo me santifico, para que sejam
santificados na verdade”. É, pois, aqui que se fundamenta
toda a nossa consagração pela santificação
dos sacerdotes. “Jesus se santifica apresentando-se diante do Pai
para ser um com ele e, diante dos homens, como a revelação
perfeita. Ele pede que seus discípulos vivam na verdade de Deus,
santificados pela fé no Pai que ele lhes revelou”.
Hoje somos nós chamados a vivenciar esta oração Sacerdotal
de Jesus e que com ele, nós possamos santificar a nossa vida, termos
uma grande experiência com Ele e continuar a pedir ao Pai pela Santificação
dos Sacerdotes. É, portanto, Jo 17,19 o ponto central do nosso
Carisma, de Imolarmos pela Santificação dos Sacerdotes.
No mundo em que vivemos como é urgente assumirmos com alegria este
dom que foi dado à Igreja, onde almas escolhidas por Deus procuram
entregar toda a sua vida em prol deste ideal de imolarem-se a cada instante
pela santificação dos sacerdotes. Resta-nos pedir ao Senhor
que nos ajude a sermos fiéis e podermos concluir com a frase da
fórmula dos nossos Santos Votos: “Recebei, Senhor, este meu
holocausto e dai-me a vossa graça para fielmente o cumprir. Assim
Seja”! “Cultivar o carisma e a missão própria
da Ordem é fluir da fonte originária; é manter-se
enraizado no fecundo solo da inspiração primeira que anime
todo o instituto”. É necessário manter sempre viva
a chama originária do carisma, pois só assim podemos dizer
com o profeta Isaías: “E seus corações se transformarão
em jardim bem regado, como fonte de águas que jamais secarão”.
Descobrir e estudar, conhecer e cultivar o carisma fundacional e a missão
própria de cada Instituto, para neles crescer e se transformar,
é sempre o melhor e único caminho de uma Vida Consagrada
atualizada e atuante. Na medida em que conhecemos a fundo o nosso Carisma,
passamos a amá-lo e vivenciá-lo no nosso dia a dia, pois
ninguém ama aquilo que não se conhece.
A. ROMERO, Carisma, in A. A. RODRIGUES
e J. C. CASAS, Dicionário Teológico da Vida Consagrada,
São Paulo , 1994, p. 94-95.
Código de Direito Canônico, São Paulo,1984,cân.578.
SINODO DOS BISPOS, A vida consagrada e a sua missão na Igreja e
no mundo, São Paulo,1993, p.34.
D. F. FASSINE, Vida Consagrada e Formação, Porto Alegre,
2002, p.43.
SINODO DOS BISPOS, A vida Consagrada e a sua Missão na Igreja e
no mundo “Instrumentum Laboris”, São Paulo,1994, p.62.
Cf. Bíblia de Jerusalém, nota “b” relativa a
Jo 17,19.
C I R N B C, Cap. VII, n.101, p. 15.
D. F. FASSINI, op. cit. p. 47.
Is 58,11.
D. F. FASSINI, op. cit. p. 48.
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