|
|
Os fiéis pensavam
que a Imagem teria vindo do Céu. Mas, dias depois, dois peregrinos
estrangeiros desvendavam o mistério. Eram dois albaneses que, fugindo
da perseguição dos turcos, vinham da cidade de Escútari
(Albânia) acompanhando a prodigiosa Imagem, que, pelo mesmo motivo,
abandonara o Santuário onde ela era venerada.
Os afortunados peregrinos vinham seguindo a Imagem atravessando rios,
vales e montanhas, escalando alturas e cruzando precipícios, inclusive
o mar Adriático, que passaram a pé firme sem experimentar
fome, sede e fadiga. Chegando às portas da Cidade Eterna, a Imagem
desapareceu de suas vistas. Foram dias de angústia à sua
procura. Por fim, nasce o sol da esperança. Corre a notícia
do que sucedera na cidade de Genazzano.
|
|
|
À tarde, quando maior número de pessoas se concentrava nos
arredores do templo dos Padres Agostinianos, começaram a se ouvir
harmonias encantadoras. Uma nuvem luminosa irradiava resplendores mais
brilhantes que o próprio sol. No foco central da nuvem, a atônita
multidão pôde perceber uma Imagem fascinante da Rainha do
Céu que, descendo majestosa e sorridente, vinha tomar posse daquele
templo por Ela escolhido como sua morada. Sinos movidos por mãos
invisíveis lançavam ao ar seus sons festivos saudando a
celestial Senhora.
Para lá se dirigem os peregrinos e constatam ser a mesma encantadora
Imagem que eles vinham seguindo. Caem de joelhos exultantes de felicidade
e, com demonstrações de extraordinária emoção,
narram ao povo estupefato as maravilhas de sua divina Rainha.
A partir desse insólito acontecimento, os Padres Agostinianos começaram
a espalhar o culto a Nossa Senhora do Bom Conselho.
Este ano nós comemoramos os 540 anos da trasladação
do quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho da Albânia a Genazzano
–Itália.
» A SANTA IMAGEM
Nela observamos detalhes
primorosos. Contemplamos a Mãe e o Filho intimamente unidos. Maria
segura o Filho com ambas as mãos. Entretanto, abraça-o como
que desprendida de si mesma. É para nós que Ela cuida dele.
Protege e envolve o Filho nas dobras de sue manto. Mas deixa seu rostinho
à livre visão, porque deseja conduzir todos os homens a
Jesus.
O véu é símbolo de segredo. Cobre a cabeça
da Mãe e continua a envolver o Filho, para significar que o mistério
do Coração de Maria é Jesus. Essa expressão
de íntima unidade entre Mãe e Filho quer indicar que Jesus
é a razão de sua existência. A Ele pertence seu coração,
seu amor. Por isso, não é de admirar que as feições
de ambos sejam tão semelhantes.
Que admirável! Jesus se apóia em Maria e se refugia no seu
Imaculado Coração. É o fruto da árvore que
o deu ao mundo. Deus, que sustenta o mundo, descansa no colo de Maria
e se acolhe sob seu manto. O manto de misericórdia de Maria não
tem limites, visto que acolhe a mesma imensidão.
A Mãe abraça o Filho-Menino com ternura, recebe suas carícias
e se extasia com seus divinos encantos. O precioso Menino sente-se seguro
no aconchego de sua Mãe e dirige a vivacidade de seu olhar ao horizonte
longínquo que o espera, e a todos os homens e mulheres de todos
os tempos que quer beneficiar.
O abraço que contemplamos na Imagem é o abraço de
Deus! O abraço que transforma e deifica e acende o Coração
de Maria em amores divinos. Abraça o Filho à Mãe
com sua mão direita, enquanto a esquerda descansa perto do coração,
como para auscultar suas pulsações e sondar os abismos de
seu exímio amor.
Mais um rasgo de suprema ternura. Jesus atrai e cativa sua querida Mãe.
Maria aceita a carícia de Jesus e, inclinando a cabeça,
deixa-a repousar suavemente no rosto divino de seu Filho, enquanto Ele
se abandona totalmente à solicitude materna. O rosto do Menino
é espelho da doçura e suavidade da alma, abrilhantado por
rasgos de soberana majestade. O rosto da divina Mãe é nítido
reflexo da incomparável beleza e ternura do Filho.
Mãe e Filho estreitamente unidos. As pulsações do
Coração da Mãe são um eco das pulsações
do Filho. Ambos funcionam no mesmo ritmo, em perfeita sintonia. Formam
a harmonia mais admirável da Criação, o gozo dos
espíritos angélicos e o hino mais sublime à Beatíssima
Trindade.
Fronte tranqüila, semblante sereno, olhos em atitude modesta, rosto
levemente inclinado, ouvido atento, parece estar escutando, totalmente
absorta, os segredos de Jesus para saborear a sós, no mais íntimo
de seu ser, as suas inefáveis doçuras, para explodir, depois,
no cântico de gratidão e reconhecimento que extasia de júbilo
os coros angélicos e cativa a mesma Trindade: “ A minha alma
proclama a grandeza do Senhor...”
A serenidade que irradia a Imagem é reflexo da paz interior de
que goza. É natural. Leva consigo e é Mãe do “Príncipe
da Paz”. Por isso é invocada como “Rainha da Paz”.
O arco-íris que ostenta sobre a cabeça, símbolo,
o da paz e da reconciliação entre o céu e a terra.
As nuvens que envolvem a Imagem indicam simbolicamente que ela procede
de uma força sobrenatural e é sustentada por ela.
O olhar é a expressão de um estado afetivo da alma. Pelos
olhos da pessoa podemos penetrar no seu interior. Os olhos são:
o espelho, o televisor, o retrato fiel de nossas interi0oridades. O Divino
Menino fixa amorosamente seu olhar em Maria. Contempla sua mesma Obra,
e nela se apraz como artista na obra-prima de suas mãos. Encanta-se
com a sua formosura e, ao mira-la, a faz ainda mais formosa.
Que Maria a Mãe do Bom Conselho derrame as suas graças sobre
nós, e que estejamos com o coração sempre aberto
para acolher os seus conselhos maternais.
Que em nossas orações
possamos rezar:
Gloriosíssima Mãe do Bom Conselho e minha Mãe! Eu
me ofereço a Vós e vos escolho por minha protetora especial
na difícil peregrinação desta vida. Seja a minha
Conselheira amorosa para que eu conheça o Caminho reto que me leva
à Casa do Pai; dignai-vos ser a protetora de nossas famílias,
de nossos interesses, e socorrei os pecadores; livrai-nos dos perigos;
consolai-nos nas nossas angústias; defendei-nos dos nossos inimigos;
preservai-nos do pecado e assisti-nos na hora de nossa morte. Amém. |